quinta-feira, 20 de junho de 2013
Ao Marcos Boboca FeliciÂnus
Sou heterosexual e não por opção. Talvez seja compulsoriamente, talvez seja uma convicção, talvez nem fosse minha opção. Provavelmente somente seja. E por ser assim, não admito que ninguém venha a mim e estipule que caminho a minha sexualidade deve seguir. Cuide da sua vida, porra!
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Eu queria ter sido ...
Eu queria ter sido diferente do que eu sou. Eu queria ter me dedicado mais aos estudos. Mas essa não sou eu. Achava chato e desnecessário. Descobri esse prazer quando fui fazer o que gostava. Eu queria ter sido uma psicóloga incrível, daquelas que sacam com facilidade seu paciente. Mas essa não sou eu. Não tinha paciência para os problemas mundanos, assim como os meus, e que se apresentam dessa forma em sua maioria. Gosto bem mais de ser a paciente. Eu queria ter sido mais politizada. Entender sobre política, economia e problemas do mundo. Mas essa não sou eu. Mal sei identificar a esquerda da direita, principalmente quando estou dirigindo...rs. Se me pedem para virar a direita, não há dúvidas, viro a esquerda, porque há uma tendência em mim, ser de esquerda. Eu queria absorver as informações com mais facilidade. Mas essa não sou eu. Quando quero lembrar o nome do primeiro ministro do Reino Unido durante a segunda guerra mundial, dou um google. Assim como tantas outras informações que se foram, mesmo prestando atenção no que me interessa, lendo muito, pesquisando. Me dei conta que tenho uma memória momentânea. Eu queria ter sido mais solidária, mas eu não achava tempo. Hoje sei onde eu o encontro. Eu podia ter sido mais popular na escola. Mas essa, definitivamente, não era eu e éramos todos iguais. Aliás, essa é uma lembrança bacana do colegial. Eu queria ter sido menos crítica comigo. Eu queria ter me aceitado da forma que eu sou. Eu queria ter sido quem eu sou durante toda minha vida. Eu queria ter me reconhecido desde sempre. Eu gosto de quem eu sou. Rio das minhas limitações, encaro a vida com bom humor, cultivo meus amigos. Meu brownie é garantia de sucesso. Gosto do que eu escrevo. Aprendi a lidar com a minha timidez e meu receio em várias situações (ainda me atrapalham um bocado, mas estou na lida ... vou tirando de letra). Me acho engraçada e interessante em muitos momentos. Essa sou eu, em tempo de me reconhecer. Hoje valorizo o que eu gosto. Gosto do simples, gosto do gosto. Gosto de caminhar ouvindo música. Gosto do vento na cara. Gosto de dançar enquanto o farol não abre. Gosto de sorrir e do sorriso retribuído, mesmo quando a gente não se conhece. Gosto de sexo, drogas e rock'n roll. Gosto de cerveja, mais ainda quando está acompanhada de amigos. Gosto de tatuagens. Gosto de pessoas e nelas confio. Gosto de água tanto quanto de cerveja. Gosto da água da chuva, do mar, do rio. Gosto da rainha do mar. Gosto de estar comigo. Eu NãO queria ter sido diferente do que eu sou. Comigo aprendi.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Torcida
Sou uma
Corinthiana fajutérrima, porém, sou Corinthiana. Quando "meu time"
joga e fico sabendo, óbvio que torço por ele. Quando perde, minha tristeza é
momentânea, quando ganha, tenho no máximo 5 minutos de alegria. Portanto, não
interfere em nada na minha vida. O que realmente interfere são as agressões
atribuídas a todo e qualquer time que vence ou perde um jogo ou um campeonato.
Não entendo em absoluto porque ser gay, pobre, favelado, maconheiro, entre
tantas outras coisas, podem ser ofensas. Para mim usar qualquer uma das
denominações acima perjorativamente é desrespeitoso, é preconceituoso. Um
preconceito arraigado, latente, perigoso. Ainda que em tom de piada. Posso
garantir, não há a menor graça. Bambizada, porcaiada, favelados ... somos todos
iguais. É por isso que realmente torço!!!!!
domingo, 25 de novembro de 2012
O Tesouro do Rubão
Uma vez eu disse que queria
ser uma mãe que soubesse contar histórias. Eu contei. Contei uma história com
elementos emprestados daqui e dali, porém, com personagens que somente Joana
poderia permitir. Um pouco do encanto da Nair e do Rubão.
O Tesouro do Rubão
Chegou o feriado tão
esperado. Joana estava ansiosa para ir para Avaré na casa da Vovó Regina. Lá é
muito legal. Tem um jardim enorme que esconde um tesouro. Pelo menos foi o que
a Fada Nona disse para ela quando se encontraram em sonho. A Fada Nona
acompanhou toda a construção da casa. Conhece cada canto. Ela mora naquele
jardim e cuida dele muito bem. Sempre está florido. Orquídeas e rosas são as
suas preferidas. Bom, voltando ao tesouro, Joana arrumou suas malas, as do
Tamborim e partiu para Avaré, mas não sem antes ligar para sua tia e combinar
de encontrá-la por lá. Chegando na casa da sua avó, Nina veio recebê-los com o
rabo abanando. Muita comida na mesa, bolo de fubá e muito sorriso da Vovó
Regina, que havia preparado tudo de maneira muito especial. Joana estava
preocupada. Sua tia ainda não havia chegado. Mas ela sabia porque. Sua tia
estava esperando uma pessoa especializada em busca de tesouros, o pirata Jack
Espirro. Foi dormir. Na madrugada Joana ouve passos e espirros. Finalmente tia
Micoleta, sua picareta e o capitão Jack Espirro ancoraram em Avaré. Mais do que
rápido Joana levantou, chamou seus fiéis escudeiros, Nina e Tamborim, e foram ao
encontro deles. O capitão estava com um suposto mapa do tesouro na mão e um
lenço, pois não parava de espirrar. Sentaram. Armaram estratégias. Planejaram
tudo com detalhes e saíram a caça. Passaram o dia todo procurando sem nada
achar. Não queriam parar nem para almoçar. O pirata com seus espirros não
parava de andar pelo jardim. Tia Micoleta com sua picareta cavava imensos
buracos. Vovó Regina estava ficando maluca com o que estavam fazendo com o
jardim de sua casa. Não estava entendendo o que estava acontecendo. Estava
nervosa porque já estava quase anoitecendo e ninguém queria comer nada.
Resolveu perguntar o que estavam procurando. Foi quando contaram para ela sobre
o tesouro. Ela riu. Disse que não sabia onde estava, mas que sempre ouviu seu
pai, o sábio Rubão, falar de um tesouro. Ela e seus irmãos passaram a vida
imaginando onde havia de estar. Rubão dizia que estava mais perto do que
imaginavam, mas nunca deu muitas pistas. Foi quando Joana teve a idéia de
chamar pela Fada Nona, que prontamente atendeu ao seu pedido e apareceu para
todos. Joana perguntou para Fada Nona se ela sabia onde estava o tesouro. A
Fada Nona disse que sim, que o Rubão sabiamente a ensinou e ela rapidamente
aprendeu, perspicaz como sempre. Esse tesouro estava muito próximo. Ficaram
muito curiosos e não paravam de fazer perguntas, afinal passaram o dia
procurando e não haviam encontrado nenhuma pista. Ela resolveu ajudar.
Encaminhou todos ao escritório do Rubão, lugar onde ele passava a maior parte
do seu tempo. Apontou para as prateleiras de livros. Ficaram meio sem entender,
mas Joana rapidamente sacou o que era. Olhou para sua Tia Micoleta, que deixou
a picareta para trás pois percebeu na hora do que se tratava o tesouro. O maior
tesouro que alguém pode ter é o conhecimento e a melhor maneira de tê-lo é
lendo. Jack Espirro ficou meio irritado, espirrou mais e mais, porém, logo se
rendeu ao encanto dos livros. Passaram o resto do feriado se deliciando com os
livros do Rubão. De longe, Fada Nona e Rubão observavam orgulhosos sua família
e sabiam que aquelas pessoas propagariam essa riqueza.
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Gasolina
Eu estou olhando para o ponteiro da gasolina. Está acabando. Preciso repor. Preciso também repor a energia que se vai com o dia a dia, a alegria quando a festa termina, a paciência para resolver um assunto chato. A gasolina é fácil repor. A energia, a alegria e a paciência recuperamos com o tempo, se quisermos. Agora, não conseguimos repor a sensação do erro não cometido, da audácia reprimida, do momento não vivido, do beijo que deveria ser dado, do carinho que não foi trocado, do presente não comprado. Não repomos a falta que fazemos, o sorriso que não demos, o abraço que guardamos. Repomos a gasolina.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
E aí?
Saindo ontem do show do Marillion, a garoa de Sampa disse ao que veio e o frio se aproximou. Eu me escondi ao lado da portaria, onde venta menos, para esperar meu carro. Me enrolei no xale que minha avó fez para minha mãe e que eu me apropriei. Na verdade minha mãe esqueceu na minha casa, eu o encontrei e achado não é roubado ... enfim, é meu. Bom, estava eu nessa situação, quando um menino veio gritando na minha direção "tia, tia" ... chegou perto de mim e disse, rindo daquilo que para ele era muito engraçado, "ah! não ! pensei que fosse minha tia hahahahahahaha" ... A parte engraçada para ele sei qual é, mas para mim, a parte engraçada que me cabe faz mais sentido ... Saca só! O moleque está ouvindo um som que ouço, um som das antigas!!! Esse som é bom!!!! E ele veio tirar sarro da minha cara ... Sarro posso tirar eu do som que ele e sua galera ouvem, ruim de um tanto que fez com que ouvissem o som da minha galera!! Eu acho do caralho. O que é bom dever ser propagado. Eu gosto desse som das antigas, desse som que os novos tem como influência, desse som que perdura, que larga e não gruda. Gosto do que é novo, mas que se fundamenta no que é bom!!! Não me considero conhecedora profunda de música, mas posso me gabar do meu bom gosto. Ei! Marillion para mim não é o ápice, nem o mais foda, mas tem um competência indiscutível e a voz que o embala é incrível. Me rendo à maturidade daqueles que estão na estrada há muito tempo porque de fato me rendo à maturidade. Gosto desse momento da vida. Gosto dessa serenidade. Moleque, fique à vontade. Não me sinto ofendida. Minha vida é regada de bom humor. Na sua idade eu me olharia e talvez me visse uma tiazinha. Até me chamaram de quarentona enxuta. Só não deu para sacar qual a ofensa. Sim, sou uma quarentona e pra lá de enxuta ... rs. Me sinto assim, enxuta aos 40 e não velha por isso. Cabe até uma confissão, estou prestes a viver a melhor fase da minha vida!!!!! E se a velhice for isso, que me tragam a bengala, porque vivo melhor a cada dia. E aí que devo agradecer a esse garoto que me fez relembrar que faço, falo e vivo do jeito que eu gosto. De novo Eu, assim como eu.
sábado, 15 de setembro de 2012
Eu, mãe!
Outro dia uma amiga me perguntou sobre ser mãe. Não tive condições de responder naquele momento. Qualquer coisa que fosse dito seria pouco perto do que realmente sinto. Parei para pensar. Me deparei com coisa a beça ... ainda sem acreditar ser suficiente. Sempre digo que ser mãe é a melhor função que exerço. É a função que entro de cabeça, chuto o balde, enfio o pé na lama, vivo intensamente e me entrego completamente. É um amor novo, nunca antes vivido. É tão intenso que a razão se perde! E eu, a racional de plantão, convivendo puramente com a emoção. Caraca - é emoção as pampas!!!!! Bom, vivendo entre emoção e razão, resgatei minha intuição, que tava lá, pronta para ser reativada. Sou mãe por intuição. Os palpites são lançados por todos os lados, numa velocidade que não dá para acompanhar...em sua maioria com a melhor das intenções...Só que a mãe da minha filha sou eu. Deixa comigo, sei como agir. Parece prepotente, eu sei, mas é assim que eu sinto. Recorro sim as pessoas que confio e em muitos momentos, mas as decisões finais são minhas e tomadas com muita tranquilidade. Sou uma mãe muito diferente do que eu podia imaginar. Gosto mais dessa mãe real do que aquela que viveu em minha imaginação durante muito tempo. É incrível poder viver essa mãe! Essa mãe cheia de inseguranças, incertezas, receio de não ter condições de educar, de indicar um mundo melhor e incutir o melhor pro mundo. Tenho arrepios diários, frio na barriga constantemente, palpitação e tremedeira por causa dessa responsa de criar ... E ai quando me deparo com o sorriso da minha filha, com sua alegria, seu carinho, o caminho que estamos trilhando, parece certo. Num sei mesmo onde vai dar, "mas vou até o fim...". A mulher que essa mãe habita se renova e se reinventa sempre. Revejo sentimentos, desejos, valores a todo momento. Partes de um todo que pareciam intocáveis e rígidas. Essa baixinha veio e abalou todas as estruturas ... "Meu amor, minha flor, minha menina", de novo eu, pensando em ti...
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